Células estaminais revelam-se eficazes para tratar lúpus

células madre

Pacientes com o tipo mais grave de lúpus, uma doença crónica do sistema imunitário, registaram claras melhoras depois de receberem um transplante das suas próprias células estaminais, indica um estudo divulgado.

Em 48 doentes com lúpus eritematoso disseminado (LED) que receberam o tratamento, 50 por cento ficaram sem sintomas cinco anos depois, segundo médicos do hospital Northwestern Memorial de Chicago que realizaram este estudo clínico.

O LED é a forma mais corrente e também potencialmente a mais grave desta doença que pode provocar inflamações na pele, articulações e rins. Este ensaio clínico decorreu entre 1997 e Janeiro de 2005 em vinte estados dos EUA.

Os pacientes seleccionados sofriam das formas mais graves de lúpus e tinham esgotado todas as opções de tratamento disponíveis.

A remitência (diminuição temporária dos sintomas de uma doença) mais longa foi de 7,5 anos no grupo dos 48 doentes e a mortalidade ligada ao tratamento foi de dois por cento.

Um estudo análogo feito na Europa e publicado em 2004 deu resultados semelhantes, à excepção da taxa de mortalidade claramente mais elevada de 13 por cento.

Segundo os autores da investigação, publicada na edição de hoje do Journal of the American Medical Association (JAMA), os resultados deste tratamento justificam um estudo mais vasto para comparar esta terapia com os tratamentos tradicionais que permitem controlar a doença a grande parte das pessoas que sofrem de lúpus.

O lúpus, cuja origem é desconhecida, afecta 1,5 milhões de pessoas nos EUA, sobretudo mulheres jovens.

As células estaminais, produzidas pela medula óssea, foram colhidas no sangue dos doentes que, durante semanas, foram submetidos a altas doses de quimioterapia que lhes debilitaram o sistema imunitário, já enfraquecido pelo lúpus.

As células estaminais foram-lhes injectadas para tentar reconstituir o sistema imunitário. Estas células podem converter-se em qualquer tipo de tecido do corpo.

«A ideia é dar ao sistema imunitário a possibilidade de combater a doença e, eventualmente, de a curar», explicou Richard Burt, que fez o ensaio clínico.

FONTE: diariodigital.sapo.pt